Contra demissão, metalúrgicos da Volkswagen no Grande ABC (SP) anunciam greve

Oitocentos trabalhadores da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (ABC Paulista), receberam cartas da empresa com o anúncio de demissão. Na manhã desta terça-feira (6), em assembleia, a categoria aprovou greve por tempo indeterminado, como forma de resistência e protesto contra a dispensa.

 

A notificação foi recebida pelos metalúrgicos entre sábado e segunda-feira, com a orientação de que comparecessem no local de trabalho nesta terça-feira. Outros 11 mil metalúrgicos também receberam telegramas, com conteúdo diferenciado, que alertava para “início imediato de ações de adequação de efetivo” e que a “primeira etapa será anunciada em 6/1/15”.

 

Outra empresa da região, a Mercedes Benz, também demitiu ontem 244 metalúrgicos que estavam em lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho).

 

Nas redes sociais, o membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, repudiou as demissões feitas pelas montadoras que, além de terem recebido subsídios do governo, enviaram bilhões em lucros para fora do país. “Apenas nos últimos oito anos as montadoras de veículos remeteram para fora do país cerca de 10 bilhões de dólares. Agora, na primeira manifestação da crise da venda de carros, descarregam o problema nas costas dos trabalhadores?”, questiona Zé Maria. “Só o dinheiro que remeteram para o exterior como remessa de lucros daria para pagar o salário destes trabalhadores que estão sendo demitidos por anos a fio. A demissão, portanto, é expressão de pura ganância destas multinacionais”, alerta o dirigente.

 

Confira abaixo o vídeo do Sindicato de Metalúrgicos de São José dos Campos e Região em solidariedade aos trabalhadores em greve da Volkswagen:

 

 

Zé Maria diz ainda que é preciso também cobrar do governo Dilma que barre essas demissões. “O governo tem a obrigação de atender a demanda dos trabalhadores, afinal, este mesmo governo não foi prestativo quando foi para atender os interesses destas empresas?”, compara.   Completa reafirmando a necessidade de unidade de todos os trabalhadores para combater essas demissões. “É preciso que as organizações dos trabalhadores e da juventude busquem formas de unir suas forças para enfrentar esta situação e fortalecer a luta da nossa classe. Seja para lutar contra as demissões, seja para enfrentar e buscar reverter os cortes de direitos promovidos pelo governo no finalzinho do ano passado. Sem luta, sem mobilização social essa situação não vai mudar, estão bastante claras as escolhas feitas pelo governo da presidenta Dilma”, orienta.

 

O dirigente finaliza a nota com destaque para a reunião do Espaço de Unidade de Ação, impulsionado pela CSP-Conlutas e outras entidades, que vai acontecer dia 30 de janeiro que será um importante passo para essa unidade.

 

Publicado originalmente na CSP-Conlutas

 

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